Vida fértil

Vida minha, que serviu de solo fértil

Para que eu plantasse minhas dores e alegrias

Que vem sendo regadas com gotas de emoções

Que se formam lentamente, com decorrer do tempo

A cada gota que pinga no solo, nasce uma planta

Algumas são lindas, com perfume adocicado

Flores aveludadas, com cores radiantes

Então distribuo aos vasos e jardins que encontro

Outras nascem envenenada com espinhos

Nesse caso as sufoco até conseguir corta sua raiz

A fim de não deixar que os jardins e vasos se contaminem.

     Marcelo Augusto da Silva

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A ida do silêncio

Ali estava um de frente pro outro, mas não se olhavam

Ambos mantinham o olhar fixo ao chão

De cabeça baixa, o barulho era ausente

Não se escutava nem a respiração

O vento não se permitia assoviar em tamanho silêncio

A luz opaca da lamparina projetava a sombra da alma

De ambos na parede suja de carvão

Então o tempo se adiantou para vê se algo acontecia

E veio na cabeça dela, algumas lembranças

Que o empurrava para uma certa esperança

Mesmo na tristeza que se encontrava

Na cabeça do outro nada se passava, um eterno vazio

Estava ele desiludido, totalmente desiludido

O tempo não satisfeito se adiantou mais um pouco

Então ouve um toque de mão, e o silêncio se foi

Ao cair das lágrimas de ambos.

 “Marcelo Augusto da Silva”

Abra meus olhos

Aquilo que me fazia livre, já não sinto mais

Tento pegá-la, porém está longe dos meus dedos

As vezes consigo lembrar como era aquela sensação

Quando ela vem, logo me acorrento a ela

No entando não dura muito, logo evapora

Então peço a minha alma, que abra meus olhos

Os olhos da minha razão, porque meu entendimento se foi

E não consigo convencer de que ele volte

Nessa cegueira que me encontro

Minha sensibilidade se desmancha em pó

O meu toque não sente mais a textura da pedra de barro

O vento não assovia mais em meus ouvidos cansados

O perfume da rosa dália, misturou-se com a fumaça

A água perdeu a pureza para ganhar cor

Meus sonhos perderam a forma, e as lágrimas secaram

Entretanto a esperança cresce dentro de mim

Ao invés de um ponto a vida me deu uma vírgula antes do fim.

  “Marcelo Augusto da Silva”

A pausa

Minha fé é fraca, muito fraca

Quase invisível passa até despercebido

Pelos olhares preciso do acusador

Ela é fraca ao ponto que consigo ver meu passado no futuro

Talvez porque meu passado nunca se foi

Ele deve está presente no meu suspiro ofegante

Que autoriza o maestro a começar a sinfonia

E logo as notas de alívio da dor estão sendo tocadas

Sutilmente mas com muita precisão

Mas no meio da melodia a uma pausa

Pausa que deixa a minha respiração ainda mas ofegante

Não sei se é intencional ou falha dos instrumentos

Quando a melodia volta, a plateia de uma pessoa só

Aguarda com atenção o final da dor

Que nunca passa apenas dá uma pausa.

   “Marcelo Augusto da Silva”

Bicho solto

Eu sou bicho solto, bicho solto na senzala do mundo

Bicho livre na senzala do corpo, eu sou bicho solto

Bicho solto na senzala do desejo, do amor grotesco

Eu sou Bicho livre, por que penso, penso a ideia do outro

Que já foi pensamento de outro, por isso sou bicho solto

Na verdade o que passa na minha cabeça eu não intendo

é como se outro pensasse aqui dentro

o meu pensamento passa num momento

depois ele some sai para passear ou se esconde

pego o mapa celebral para encontralo, mas sem sucesso

Deixo quieto por que sou bicho solto

Eu sou bicho solto, bicho solto na senzala da paixão,da cadeia do vício

Eu sou bicho livre, bicho livre que nem pássaro da asa quebrada

Que bate, bate suas asas e não serve de nada

Eu sou bicho livre, livre na cadeia do tempo

que me escraviza os momentos e chicoteia os sentimentos

Eu sou bicho solto, bicho solto porque grito

Grito como menino desprovido que grita porque e bicho livre

Eu sou bicho livre, bicho livre por que vou pra lá

bicho solto por que venho pra cá

Eu sou bicho solto, bicho solto poque não sei nada de mim

Bicho livre porque nasci, nasci porque sou bicho solto

Eu sou bicho solto, bicho solto porque éo fim

E no fim encontrarei a liberdade, a liberdade poque sou bicho solto.

   “Marcelo Augusto da Silva”

Como foi seu dia hoje

Meu dia hoje foi como amanha só que fez sol

Eu desavisado sai de guarda-chuva e acabei perdendo

Então fui pra casa e dormi

E acordei ontem, que era domingo

Ai me animei, coloquei uma calça velha

Uma blusa amarrotada, e pronto pé na estrada

Com o pés descalço podia sentir o barro

Ali sozinho no caminho pego umas flores

Dou uns assovios imitando os passarinhos

E escuto um canto, era uma moça estatura mediana

Cabelos lisos com as pontas encaracoladas

Sorriso marcante, olhar distante

Me aproximei, sem pensar dei a ela as flores

E a sombra do meu corpo pois mas nada tinha

Não sabia o que falar, pedi a ela uma caneta

Anotei seu endereço na palma da minha mão

Agradeci pela caneta e fui pra casa

Escrevi uma carta esperei amanhecer

E não a enviei.

  “Marcelo Augusto da Silva”

Águas impuras

A torneira da maldade está aberta

E eu reguei meu jardim com águas impuras

Envenenei as flores

As abelhas morreram

O fruto da vida apodreceu

A lua na sua tristeza se esconde do sol

Que já não brilha mas como antes

As estrelas se ofuscaram

E até as nuvens se negam a chorar.

   “Marcelo Augusto da Silva”